Antes, uma confissão. Eu, mesmo sem antes ter folheado as páginas deste livro, ou pesquisar sobre o que se tratava, nunca iria comprá-lo pelo simples fato de não ter interesse nesse tipo especifico de literatura.
Pois é, não me apedrejem, mas somos todos assim em relação à certas coisas que não conhecemos. Não?
Eu escolhi este, entre uma lista enviada pela Ediouro.E fiquei surpreso ao me deparar com um livro, ou melhor uma história maravilhosa, uma leitura direta e recheada de curiosidades sobre esse povo tão distante, mas tão rico culturalmente.
Quase sempre concebemos essas pessoas, apenas como homenzinhos dos olhos rasgados, que vivem em um iglu, ao meio de uma infinita brancura gelada, onde se alimentam apenas com o que pescam. Como ilustram os desenhos animados.
Diferente disso, o livro conta - em formato de diário - como foi à história de férias de Luciana Whitaker, fotojornalista pela Folha de São Paulo, que em viagem de férias por indicação de um amigo foi para o Alasca ficar cerca de uma semana. Após alguns dias, acabou voltando para o Brasil mas apenas para fechar seu apartamento e pedir demissão de seu emprego!
Pois é, nisso foram 11 anos, 11 anos vivendo no frio que chega a -40º. Absorvendo, e fotografando o cotidiano desse povo tão unido, dessa cultura tão distinta e bela como ilustra Luciana em seu diário dos 11 anos no Alasca.
Trechos do Livro 11 Anos no Alasca
Sempre gostei de viajar. Férias para mim significam viagem. Viagem e fotografia. Em abril de 1996, depois de terminar um namoro, chegava meu período de férias do jornal. O que fazer? Nunca tinha passado férias sozinha.
Resolvi escolher um lugar inédito, inesquecível, desses de alegrar o coração. Mas onde?…
Cada um de nós ganhou seu próprio trenó e um time de cinco ou seis cães. Dentro do trenó estava nossa roupa, comida e material para acampamento.
Aprendemos a arriar os cães e a usar os freios. A maior surpresa foi saber que não existe rédea ou volante. O comando é dado apenas por palavras: gee para vira a direita, rá para a esquerda, whoa para parar e hike up para partir….
Aceitei o convite de Kelly e resolvi me mudar para Barrow. Fui ao Brasil, numa passagem rápida, fechar meu apartamento e pedir demissão do emprego na Folha de São Paulo, onde trabalhei por oito anos como fotógrafa e coordenadora de fotografia da sucursal carioca. Alguns me chamaram de maluca, outros diziam querer ter minha coragem. Meus amigos perguntaram o que mais motivou minha mudança para o Alasca, além da vontade de estar com Kelly. Não sei exatamente…
Sobre a autora Luciana Whitaker
Depois de ser formar em Comunicação Visual, Luciana Whitaker começou a trabalhar em jornal no New York Newsda, em 1988. De volta ao Brasil, trabalhou por oito anos na Folha de São Paulo, seis deles no comando da fotografia da sucursal do Rio de Janeiro, cobrindo desde viagens internacionais com o presidente ao tráfico de drogas nas favelas. De 1996 a 2004, morou com esquimós no extremo norte do Alasca, documentando a cultura e a tradicional caça as baleias. Atualmente, Luciana vive entre o Rio de Janeiro e o Alasca, fotografando para livros e produzindo matérias para veículos jornalísticos como Folha de São Paulo, Reuters, IstoÉ, Época, Anchorage Daily, e governo esquimó do North-Slope Borough. Tem seu arquivo nas agências Getty Images, Accent Alaska, Olhar e Pulsar Imagens, e fotos no acervo Iñupiat Heritage Museum no Alasca.


